sexta-feira, 21 de agosto de 2009


Amigas pra sempre!!!


- Malu, a gente é BFF?

- Bizarras, Feias e Fedidas?

- Dâ-â! BFF é a abreviação de Best Friends Forever!

- Fala sério, Alice! Você sabe que odeio essa mania de botar inglês em tudo. A gente é MAPS.

- Meninas Amorosas Porém Sarcásticas?

- Não, palhaça. Melhores Amigas Para Sempre.

- Meio brega isso…

- Brega é BFF. Eu sou brasileira, falo português e pronto. Acho ridículo falar em inglês o que a gente pode dizer em português.

- Ih, já quer brigar.

- Não quero nada, estou só defendendo meu ponto de vista.

- Você não sabe defender seu ponto de vista sem brigar, Malu. Eu te conheço. Daqui a pouco a gente vai discutir por causa disso e estou sem a menor vontade de me estressar. Vamos deixar essa briga pra outra hora?

- Ah, nem uma discussãozinha? Por favor! Amigas de verdade brigam e depois ficam mais amigas do que antes. É a LMA.

- Lama que Move o Amor?

- Claro que não, Alice. É a Lei Mundial da Amizade, que diz que amigas que não brigam levam uma vida muito chata.

- Isso é. Se a gente não brigasse não ia fazer as pazes. E a melhor coisa de brigar é fazer as pazes e dar um SAE.

- Sapato Amarelo Empoeirado?

- Super Abraço Esmagadaço, pateta! Tô louca pra te dar um.

- Tudo bem, mas só se você estiver DBT.

- De banho tomado? Claro que estou!

- Não, Dando Beijo Também!

- Malu, você é implicante mas eu te adoro!

- E você é estourada mas é a melhor melhor amiga do mundo, Alice!

Amiga de Banheiro


Outro dia estava numa lanchonete, enchendo a cara de hambúrguer e outras coisas engordativas com meus amigos, quando resolvi ir ao banheiro. Lá, enquanto me aliviava (era número um, que fique claro. Número dois em banheiros públicos é algo simplesmente impossível para mim), não pude deixar de ouvir a conversa que levavam duas mulheres, uma que estava do lado de fora, já lavando as mãos, outra que, como eu, continuava de porta fechada, concentrada sobre o vaso.

- Agora é oficial, Nádia. O Eduardo me deu um pé na bunda mesmo! - disse minha vizinha de sanitário.

- Não fala assim!

- Falo, sim! Ele me chamou para conversar e veio com aquele papinho de que gosta de mim como amiga, que a gente não daria certo como casal, que ele está num momento muito dele...

- Momento muito dele uma ova! Ele ficou em cima um tempão. Agora que resolveu dar mole o cara desiste? Não consigo entender os homens!

- Pois é, nem eu. Sei que não devo ligar, mas estou morrendo de vontade de falar com ele de novo. O que você acha que eu posso fazer?

Silêncio do outro lado. Ela insistiu:
- Poxa, ele podia estar num dia ruim... Conversar é sempre válido, né, Nádia? Ainda mais agora, Natal chegando, as pessoas ficam mais felizes, mais bacanas...

Mais silêncio.

- Nádia? Nádia! Nádiaaaaa!!!

Profundo silêncio.

- Nádia, você tá aí?

Como Nádia não respondeu, eu resolvi me meter, já no fim do meu xixi.

- Nádia não tá, mas eu tô! E acho que o Eduardo não presta! Não liga pra ele! Ele não quer nada com você!

- exaltei-me.

Só ouvi uma gargalhada. Gargalhada gigante, saborosa. Enquanto ela ria, continuei:

- Desculpa, mas precisei me meter. Eduardo não te merece, parte pra outra, tenho certeza de que você vai encontrar coisa melhor!

Mais risadas do outro lado e o barulho da descarga.

- Isso é maravilhoso! Morei nos Estados Unidos cinco anos e isso nunca aconteceu! Imagina se eu receberia conselho de alguma gringa num banheiro. Sai daí, menina, preciso ver sua cara e te dar um abraço.

Saí. E dei de cara com Nádia, chorando de rir, encostada na pia.

- Fala sério, Nádia! Não acredito que você estava aqui o tempo todo!

Deixou a coitada falando sozinha! - bronqueei, rindo, enquanto estendia os braços para dar na minha amiga de banheiro um abraço apertado.

- Ela é uma palhaça, não merece minha amizade, agora minha amiga é você. Qual o seu nome?
- perguntou.

- Malu, e o seu?

- Iara. Muito prazer.

- O prazer é meu. Promete que não vai ligar pro Eduardo?

- Prometo. Você acha que ele não presta mesmo?

- Claro. Resolveu fazer jogo duro agora só porque você está a fim dele. Deixa o cara começar a sentir sua falta, ter saudade de você. Ele que tem que te ligar!

- Certíssima! - exclamou Nádia.

- Agora você fala, né, Nádia? - implicou Iara.

- Valeu, gente, bom demais conhecer vocês.

- Não, espera, Malu. Você tem MSN? Tá no Orkut?

Trocamos e-mails, tiramos foto com nossos celulares e passamos a nos corresponder com freqüência. Iara não ligou para Eduardo. Eduardo, depois de duas semanas, ligou para Iara. Eles finalmente engataram um namoro e combinaram de almoçar juntos no dia 25, olha que fofos. Iara já disse que, se tudo der certo, eu vou ser madrinha de casamento. E pensar que essa amizade começou num banheiro... Não é o máximo?



Gente que fala!!

À
s vezes, corro na esteira do prédio para perder calorias e acalmar a ansiedade. O bom de correr é ficar caladinha, você com você mesmo, silêncio total... Mas Firmino, um funcionário do meu prédio, não acha isso, não.
Correr cansa, né?
Arrã.
E faz suar. Mas a senhora sua demais, né, dona? Parece até que tem uma torneirinha dentro da senhora. Até embaixo do sovaco a senhora sua. E isso é coisa de homem. Com todo o respeito.
Irritada, não consegui dizer mais nada a não ser:
Suar é bom.
Não entendo corrida. Acho um esporte meio besta, sabe? Que graça tem correr?
A
inda mais numa esteira de prédio, olhando pro nada... Mas tem maluco pra tudo. Não que a senhora seja maluca, a senhora tá é cuidando da forma, né? E a senhora precisa mesmo perder uns dois quilinhos. Vai ficar no ponto.
Fiquei muda, apenas fulminei o cara com os olhos.
A senhora quer que ligue um pouquinho o ventilador?
Não, obrigada — agradeci, tentando me compenetrar no exercício.
A senhora sabe que esse ventilador é uma porcaria, né?
Não — respondi, seca.
Já quebrou, já consertaram, quebrou de novo... Mas ele é coisa de americano, aí já viu, né?
Já vi o quê?
Ué, ventilador e televisão têm que ser japoneses. É no Japão que eles sabem fazer coisa que funciona, a senhora não acha?
Ele não podia monologar em vez de dialogar? Precisava pedir opinião? É tão difícil correr e falar ao mesmo tempo!
Apenas balancei a cabeça, ofegante, concordando com ele.
— Tô namorando uma moça que é quase do seu tamanho, naniquinha, naniquinha.
Delícia inenarrável ouvir que sou naniquinha de um quase-estranho às dez da manhã de sábado. Amarrei a cara, num claro sinal de que queria cortar aquele conversê.
Ele não captou.
— Ela é manicure. Também atende em casa, viu?
— Arrã...
— É Nyramar o nome dela. Com ípslon. Era com i, mas ela acha mais chique o ípsilon.
— Arrã — tentei mais uma vez bancar a antipática.
— Tenho o telefone dela aqui, a senhora quer?
— Não, obrigada.
— A senhora sabia que tem gente que o pé baba?
Não! Eu não sabia e não precisava saber!, pensei, irritada.
— Ela contou que tem pé de madame com tanta inhaca e tanto sebo que a sujeira escorre e gruda nas mãos das manicures. É baba de inhaca.
— Olha só... — reagi, nojinho puro, com o café da manhã embrulhando meu estômago. — A Nyramar é prendada, graciosa, limpinha, não é bonita, mas também não é feia... Tem cara de azeitona, sabe?
— Não — fui sincera. Que conversa era aquela, meu Deus do céu?
— O problema da Nyramar é que ela é bigoduda. Queria tanto que ela tirasse o bigode, mas como é que a gente diz isso pra uma pessoa?
— A gente não diz isso para uma pessoa, Firmino! — opinei, irritada com a pergunta e com o bigode da nanica da Nyramar.
— Bom, ela pode ser bigoduda, mas cuida das minhas unhas. Corta, lixa, tira cutícula... Uma beleza! E ainda prometeu acabar com a minha unha encravada. A senhora quer ver a unha? — perguntou, já tirando a sandália e levantando a perna.
Diante da cena, diminuí o ritmo e, mesmo sendo uma pessoa fofa, arrumei uma desculpa e fui correr na praia. Torcendo para não cruzar com nenhum tagarela pelo caminho.


Fala sério vó!

A minha avó Dalva tem ido a vários espetáculos teatrais por mês. Vai de van, com outras velhinhas que ela prefere chamar de “brotinhos”. Outro dia, me chamou para ir com ela.

— Você vai amar! E ainda vai conhecer minhas amigas, são todas divertidíssimas. E cheirosas, arrumadinhas, limpinhas.

Topei. Achei que seria bacana entrar no universo da minha avó fofa. Na van, o assunto era animadíssimo:

—Viram que maravilha o novo remédio para artrite? — perguntou uma senhora de cabecinha branca-branca-branca.

— Aposto que não é melhor do que o que eu descobri para catarro preso — contestou outra, de cabelos vermelhos

— Ih! Que papo de velho! Olha a minha neta aqui, gente, ela vai achar que somos chatas, que só falamos de remédio e doença. E nós somos um arraso, um desbunde! Por exemplo, todas aqui gostariam de apertar a bunda do Brad Pitt. É ou não é, mulherada? É isso que a gente tem que conversar! — comentou minha avó, para delírio das amigas.

Os “brotinhos” se animaram com a retaguarda do marido da Angelina e teceram comentários que não reproduzirei aqui porque ruborizo só de lembrar deles. Rolei de rir com a empolgação e nem vi o tempo passar. Chegamos ao teatro e ocupamos quase toda a fila J. Sentei-me entre minha avó e dona Hemengarda, a da cabecinha branca-branca-branca.

O terceiro sinal tocou e o silêncio na platéia imperou. Mas assim que a primeira atriz pisou o palco, dona Hemengarda cutucou minha avó e comentou, com voz de megafone:

— Olha a Rogéria! Como ela está bem! Magra, peitão... E que cabelo!

Achei que minha avó cortaria o assunto com um sussurro qualquer. Que nada. Descobri ali que dona Hemengarda era um tanto surda. E que minha avó não fazia o tipo calada no teatro.

— Que Rogéria, Hemengarda? É a Glória Menezes, não está vendo?

Eu no meio. As pessoas em volta já fazendo “Shhh!” para as duas.

— Glória Menezes? Faz-me rir! — soltou Cecília, sentada ao lado da minha avó. — A Glória Menezes não faz essa peça.

Claro que faz! Li no jornal! — Leu errado, Dalva.

— Xiii... Vim à peça errada, então. Não acredito que fiz isso. De novo! — reclamou minha avó.

Está caduca... — implicou uma outra, muda até então.

O espetáculo rolando no palco, a vergonha me corroendo por dentro... Então disse baixinho:

— Beleza, gente, a Glória e a Rogéria não fazem a peça, mas tenho certeza que é muito boa.

— Que foi que ela disse, Dalva? — berrou Cecília.

— Nada, ela é uma criança, não entende nada de teatro

— disse mais alto ainda dona Hemengarda.

— Não fala assim, minha neta é muito culta — bronqueou minha avó. — Não liga para essas velhas mal-educadas, Malu.

— Vó, fala baixo, não cai na pilha delas.

— Pilha? Não entendi...

— Não cai na onda delas! Não cai na conversa delas! Isso que ela quis dizer, ô, Dalva! Não entende nada de juventude, fala sério! Que mulher desatualizada! — debochou dona Hemengarda.

— Você me respeita, hein? Desatualizada é a...

Afundei na cadeira, morrrta de vergonha, louca para a peça acabar.

E pensar que eu achei que na velhice as pessoas ficavam mais calmas, mais pacatas. Ledo engano. Elas discutiram todo o tempo, sem a menor cerimônia. Ao sair, desprezando os olhares irritados dos outros espectadores, voltaram a ser melhores amigas.



Morte às espinhas!

Um belo dia vi, do nada, minha testa ser invadida por quatro, cinco, seis caroços horrendos. Antes mesmo que eu me desesperasse, o queixo ganhou uns dois caroços daqueles e, por fim, exatamente na ponta do meu nariz, uma pipoca medonha apareceu e me transformou num verdadeiro monstro.

— Você tá igual à bruxa má da Branca de Neve! — disse Alice, suuuperfofa.
— Precisa de uma limpeza de pele! — alertou Duca.
— Você conhece alguém para me indicar? — perguntei.
— A minha mãe tem uma esteticista ótima.
— Ainda bem que ela vai ficar com a pele boa de novo, eu não agüentaria olhar pra Malu desse jeito por muito tempo. Cê tá muito, muito feia mesmo! — aliviou Nanda.
— Bom é que você não espremeu. Dizem que é pior. A pele vai ficando toda marcada e ganha aquele aspecto de areia mijada, sabe?
— Bom é que você não espremeu. Dizem que é pior. A pele vai ficando toda marcada e ganha aquele aspecto de areia mijada, sabe?
— Mas é verdade, a pele fica toda furadinha e...
— Já sei, não precisa repetir!

Não tive outro jeito a não ser ligar para a Cecília, a esteticista da mãe da Duca. Nunca tinha feito limpeza de pele, achava coisa de madame. Mas eu não podia virar um monstrinho justamente naquele momento, quando o Saulo, um gatiço do terceiro ano, estava começando a reparar em mim. Era muita injustiça.

— Vai doer um pouco, você sabe, né? — avisou Cecília, antes de dizer oi.
— Não! Ninguém me disse que dói.
— Mas dói. E a pele depois fica bem marcada, machucada. Você vai sair daqui com o rosto vermelho, mais empolado do que está, mas é normal. Amanhã acordará ótima, pode confiar em mim. Agora deita.

Quase não deitei. Quis sair correndo. Fiquei com medo da Cecília. Mas a vaidade falou mais alto e eu deitei. Ela começou passando um líquido cheiroso na minha pele. “Nada dolorido, isso é relaxante, isso sim”, pensei. Fechei os olhos, achando que a Cecília era uma exagerada. Mas, em pouco tempo, vi que não tinha exagero nenhum.

Depois de passar creminhos ásperos, gosmentos e fedorentos, começou a espremer as pobres das minhas espinhas com muita, muita raiva delas.

— Aaaaaaaiiii!!! — berrei com todas as minhas forças.
— Que é isso? Para ficar bonita tem que sofrer, não sabe? Deixa de frescura! Morte às espinhas! — gritou.

Após uma hora de tortura, saí de lá com a cara toda vermelha, inchada, ardendo, as pipocas transformadas em crateras vulcânicas, uma delícia. Parecia a prima do Frankenstein. Na rua, no ponto de ônibus, esbarro com quem? Com o Saulo, claro. Tentei me esconder olhando para o chão, mas ele me viu. E levou um susto que mal conseguiu disfarçar.

— Malu? É você mesmo?
— Arrã — respondi, ainda olhando para os pés.
— O que aconteceu? Foi picada por um enxame de abelhas?
— Não, fui fazer uma limpeza de pele, amanhã meu rosto volta ao normal — disse, morta de vergonha.
— Ufa! Ainda bem! Um rosto bonito desses não merece ficar assim.

Vibrei por dentro. Saulo, o rosto mais lindo da escola, achava que o meu é que era bonito! Que sonho!

Pegamos o mesmo ônibus e nem vimos a hora passar falando, claro, de espinhas e do problema que elas representam para os adolescentes. Assunto supermaduro. Viva as espinhas!

Elvis não morreu!!

Eram duas da manhã quando eu saía com a Alice de um social na casa da Nanda e resolvi passar no botequim da esquina pra comprar um chiclete. Eis que, para minha surpresa, surge um cara alto, topete, boca fina, olhos verdes pequenos e caídos, cabelo pintado de preto e roupa branca com detalhes em dourado. Pára no balcão e pede uma água sem gás. Era ele, sem dúvida. Mas não, não podia ser. Ele tinha morrido!

- Elvis Presley! - embasbacou- se o cara do balcão.
- Eu mesmo - respondeu em português claríssimo.
Olhava pra Alice espantada quando chegou um fotógrafo tirando fotos de todos os ângulos.
- Elvis não morreu! Elvis não morreu! - gritava, enquanto disparava flashes por todos os lados. - E eu tenho a foto exclusiva! Tô rico!
Elvis sorria. Para os poucos bebuns do botequim, parecia normal ver o rei do rock ressuscitado, num boteco pé de chulé pedindo água no balcão.
- Sentaí, Elvis! - pediu um cara.
- Porque se você é fantasma, é fantasma camarada - afirmou outro.
- Toma um chope com a gente e conta o que ficou fazendo esse tempo todo. A gente achou que tu tinha morrido, cê sabe, né? - comentou um terceiro, com a maior naturalidade.
- O mundo inteiro achou que você tinha morrido - intrometeu-se Alice, ainda com os olhos arregalados.
Elvis puxou uma cadeira e sentouse. O maior astro de todos os tempos estava entre nós, com a mesma cara, o mesmo nariz e o mesmo charme.
Não era um sósia, não era um cara voltando de uma festa à fantasia. Era ele. Meu Deus, era mesmo! Meu pai ia ter um treco se soubesse que seu ídolo estava bem ali na minha frente.
- Agora faço shows no subúrbio - começou Elvis. - Todos lá acham que sou sósia de mim mesmo, o que é ótimo. Moro numa casa em Brás de Pina e durante o dia cuido dos quintais da vizinhança. De graça, claro, porque não preciso de dinheiro. Tenho muito!
- Obrigado, meu Deus, pelo furo de reportagem! - agradecia o fotógrafo.
- Fala sério! Prova que você é o Elvis! - pedi.
Ele se levantou e cantou Tutti- Frutti, um de seus maiores sucessos. Voz inconfundível, requebrado inconfundível. De repente, me tirou para dançar. E me agarrava, me rodopiava, me puxava pra perto dele, me olhava nos olhos... Ihhh, o Elvis tá dando em cima de mim, pensei. E estava. Depois do show e dos aplausos, ele pediu:
- E meu beijo na boca?
- Não! Você é velho pra mim. E tá todo suado! Eu só quero seu autógrafo. Meu pai vai morrer de felicidade.
- Não tem autógrafo sem beijo.
Que Elvis Presley mais safado!, irritei-me.
- Beija! Beija! - gritaram os bebuns.
Eu não queria beijar o Elvis. E se ele fosse um morto-vivo, um zumbi? Não queria beijar defunto! Ele se aproximou para me beijar, me agarrou com força, o fotógrafo registrando tudo, eu ia virar manchete das revistas de fofoca, que mico! E pensar que só queria um autógrafo para o meu pai.
- Anda, Maria de Lourdes, o despertador está tocando há um tempão! Está na hora da aula.
Ufa! Era um sonho. Elvis morreu mesmo.
Pena que não era vida real... Meu pai ia amar saber que eu tinha dançado com o rei do rock'n'roll.


Fala Sério
Um Hábito Esquisito

− O que é um beijo pra vocês? − perguntei, na lata.
− Duas bocas juntas, com duas línguas rodando no meio − esclareceu Alice.
− Isso é um beijo. E só isso pode ser considerado um beijo? Boca com boca, sempre?
− Não, Malu! Tem beijo no rosto, também − entrou Nanda
na conversa.
− Que consiste em encostar os lábios numa bochecha alheia,
né? − insisti.
− Ai, tá chato isso! O que foi que aconteceu? − irritou-se Duca. − Tem a ver com o Tavinho?
− Tem.
− Malu, você ficou com o cara mais lindo da escola e quer saber de beijo? Não vai me dizer que ele beija mal! Prefiro a morte a saber que o Tavinho beija mal − exagerou Alice.
− Tavinho beija... direitinho.
− Direitinho? − fizeram as três em coro. − Isso é péssimo! − acrescentou Nanda.
− Direitinho é a forma mais ou menos fofa de dizer que ele beija muito mal! − pontuou Duca.
− Gente, é que...
− Caraca! O que foi que ele fez? − interessou-se Alice.
− Ele... ai, gente! Ele lambeu meu queixo. E minhas bochechas!
Silêncio total, antes da explosão num coletivo e sonoro:
− Écaaaaaaa!!!
− Por que ele lambeu sua cara? − quis saber Alice, com a fisionomia tão enojada que parecia que mil baratas estavam passeando pela sua perna.
− Não sei! Achei um nojo. E me senti um picolé. Meu rosto ficou todo babado.
− E o que você fez?
− Depois da lambida no queixo, achei só que ele tinha errado o caminho da boca e não disse nada. Mas, depois que ele passou aquela língua cheia de cuspe pelas minhas rosadas
bochechinhas, achei que era hora de perguntar se ele estava maluco.
− E ele?
− Duca, ele disse que acha minha cara tão linda que tem que beijá-la inteira.
− Fofo!
− Fofo!? Beijar é uma coisa, lamber é outra, Nanda! Estou com nojo do Tavinho. Não quero nunca mais ficar com ele. E ele senta do meu lado. O que eu faço?
− Falta à aula uma semana − aconselhou, pessimamente, Alice.
− Nada disso. Diz pra ele que esse negócio de lambida é péssimo, e que você só fica com ele de novo se ele perder essa mania idiota.
− Boa! É isso que eu vou fazer, Duca.
− E se ele parar com esse hábito esquisito e você não quiser mais ficar com ele, pode recomendá-lo para as amigas, tá? − brincou Alice.
− Tá, pateta! − ri com elas.
No dia seguinte, conversei com o Tavinho. Expliquei que achava melhor continuarmos amigos em vez de virarmos ficantes, e ele reagiu melhor do que eu imaginava.
Mas não podia recomendá-lo para ninguém, como Alice queria. Além de lambedor de bochecha, quando ele beijava, os dentes batiam, a língua quase não mexia, a boca parecia
uma gelatina e rolava uma baba lateral. Ou seja, o beijo dele era bem pior do que... direitinho.


Eriosvaldo '' o rato de Vicente ''

*caros visitantes do meu blog....essa postagem fala sobre ''ele'' famosérrimo rato Eriosvaldo.

Eriosvaldo, nasceu e cresceu numa lojinha num shopping ''provavelmente as Lojas Americanas''...teve uma infancia difícil pois morava ao lado da sessão da Barbie..e aí viu .:''Olha o raaaaaaaaaaaaaaaaaaaato'' pra lá....''Bicho nojento'' pra cá...até que um dia...Vicente Galdino, professor de geografia que adora porcarias e coisas asquerosas e nojentas viu o pobre ratinho ali e disse:'' Essa é a coisa mais fofa que eu já vi!!Vou leva-lo pra casa em vez da Barbie e seu nome será......deixa eu ver.....Adalgamir...não...Petrocoquínio...já seei!!!ERIOSVALDO!!!!''.Desse dia em diante Eriosvaldo dedicou sua vida a acompanhar Vicente em suas aulas e ser paparicado por seus alunos.

E essa é a história do rato Eriosvaldo (de onde é que Vicente desenterrou esse nome pelo amor de Deus)...do colégio Paraíso para o MUNDO!


Vicente Galdino...