
Amiga de Banheiro
Outro dia estava numa lanchonete, enchendo a cara de hambúrguer e outras coisas engordativas com meus amigos, quando resolvi ir ao banheiro. Lá, enquanto me aliviava (era número um, que fique claro. Número dois em banheiros públicos é algo simplesmente impossível para mim), não pude deixar de ouvir a conversa que levavam duas mulheres, uma que estava do lado de fora, já lavando as mãos, outra que, como eu, continuava de porta fechada, concentrada sobre o vaso.
- Agora é oficial, Nádia. O Eduardo me deu um pé na bunda mesmo! - disse minha vizinha de sanitário.
- Não fala assim!
- Falo, sim! Ele me chamou para conversar e veio com aquele papinho de que gosta de mim como amiga, que a gente não daria certo como casal, que ele está num momento muito dele...
- Momento muito dele uma ova! Ele ficou em cima um tempão. Agora que resolveu dar mole o cara desiste? Não consigo entender os homens!
- Pois é, nem eu. Sei que não devo ligar, mas estou morrendo de vontade de falar com ele de novo. O que você acha que eu posso fazer?
Silêncio do outro lado. Ela insistiu:
- Poxa, ele podia estar num dia ruim... Conversar é sempre válido, né, Nádia? Ainda mais agora, Natal chegando, as pessoas ficam mais felizes, mais bacanas...
Mais silêncio.
- Nádia? Nádia! Nádiaaaaa!!!
Profundo silêncio.
- Nádia, você tá aí?
Como Nádia não respondeu, eu resolvi me meter, já no fim do meu xixi.
- Nádia não tá, mas eu tô! E acho que o Eduardo não presta! Não liga pra ele! Ele não quer nada com você!
- exaltei-me.
Só ouvi uma gargalhada. Gargalhada gigante, saborosa. Enquanto ela ria, continuei:
- Desculpa, mas precisei me meter. Eduardo não te merece, parte pra outra, tenho certeza de que você vai encontrar coisa melhor!
Mais risadas do outro lado e o barulho da descarga.
- Isso é maravilhoso! Morei nos Estados Unidos cinco anos e isso nunca aconteceu! Imagina se eu receberia conselho de alguma gringa num banheiro. Sai daí, menina, preciso ver sua cara e te dar um abraço.
Saí. E dei de cara com Nádia, chorando de rir, encostada na pia.
- Fala sério, Nádia! Não acredito que você estava aqui o tempo todo!
Deixou a coitada falando sozinha! - bronqueei, rindo, enquanto estendia os braços para dar na minha amiga de banheiro um abraço apertado.
- Ela é uma palhaça, não merece minha amizade, agora minha amiga é você. Qual o seu nome?
- perguntou.
- Malu, e o seu?
- Iara. Muito prazer.
- O prazer é meu. Promete que não vai ligar pro Eduardo?
- Prometo. Você acha que ele não presta mesmo?
- Claro. Resolveu fazer jogo duro agora só porque você está a fim dele. Deixa o cara começar a sentir sua falta, ter saudade de você. Ele que tem que te ligar!
- Certíssima! - exclamou Nádia.
- Agora você fala, né, Nádia? - implicou Iara.
- Valeu, gente, bom demais conhecer vocês.
- Não, espera, Malu. Você tem MSN? Tá no Orkut?
Trocamos e-mails, tiramos foto com nossos celulares e passamos a nos corresponder com freqüência. Iara não ligou para Eduardo. Eduardo, depois de duas semanas, ligou para Iara. Eles finalmente engataram um namoro e combinaram de almoçar juntos no dia 25, olha que fofos. Iara já disse que, se tudo der certo, eu vou ser madrinha de casamento. E pensar que essa amizade começou num banheiro... Não é o máximo?



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