terça-feira, 23 de junho de 2009




Comer ou não comer?
Cada vez mais, cresce o número de jovens que aderem ao vegetarianismo. Muito além de eliminar a carne, essa galera tem na opção de consumir apenas alimentos de origem vegetal uma verdadeira filosofia de vida.

Por Jess

Há cinco meses, o estudante André Borile, de 16 anos, resolveu parar de comer carne. "Entrei nessa porque achava bonito. Mas só estou persistindo, mesmo, porque me importo com o que acontece aos animais", conta. Já as estudantes Camila Bergamim Marcon, de 17 anos, e Carolina Facchin Meneguz, de 19, pautaram sua decisão de mudar radicalmente a dieta na preocupação com a sustentabilidade do planeta. "Não aceito a ideia de que, só para eu comer meu pedacinho de carne, alguém tenha que morrer. Além disso, a produção de gado é responsável pelo lançamento de uma grande quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera. E isso pouca gente sabe. Eu costumo pensar em todas as consequências das minhas atitudes e acredito que, assim, eu também possa contribuir para um mundo melhor", diz Carolina. Tanto ela quanto André não só cortaram todos os tipos de carnes do cardápio, o que os caracteriza como ovolactovegetarianos, como também pararam de consumir todo tipo de prato que leva na, receita, ovos, leite ou seus derivados. Por isso, são chamados de "vegans" (fala-se "vigans") ou "veganos". Além disso, eles recusam outros produtos de origem animal, como o mel e a lã. "Também evito cosméticos testados em animais ou que possuam, em sua composição, ingredientes de origem animal, como a glicerina e a seda", explica Carolina.

5 truques para se dar bem
FOTO: DIVULGAÇÃO

Gabriel Marcondes e Diego Lara - respectivamente o baixista e o baterista da banda carioca Offline - cortaram total o consumo de carnes e outros alimentos de origem animal. Eles contam os segredinhos para conseguirem sobreviver na estrada, nos camarins e nas lanchonetes e restaurantes que encontram pelo caminho, a maioria delas sem opções para os veganos.

1. No camarim dos meninos não podem faltar frutas, pães e sucos. "No dia-a-dia, a gente sempre anda com opções veganas na mochila, de snacks do tipo batatas fritas, a coisas mais naturais, como frutas desidratadas, amêndoas, pistache e nozes", ensina o baixista.

2. Outra boa opção para a fominha fora de hora são os lanchinhos - que eles costumam carregar na mochila. "Nossos preferidos são os sanduíches caseiros, com pastinhas e vegetais diversos", entrega Gabriel.

3. "Uma tigela de açaí com frutas e granola, em qualquer casa de sucos, é uma ótima alternativa de refeição na rua", diz Diego.

4. Para não passar muito perrengue, eles costumam levar sua própria comida para preparar na estrada. "A gente se programa, antes, e sempre leva comida fácil de fazer, como massas, arroz integral e enlatados, do tipo hambúrguer de soja, molhos e palmito", conta o baterista Diego.

5. "Em último caso, apelamos para o arroz-feijão-sem-carne e para as saladas, em qualquer restaurante. É bem mais fácil do que parece", garante Gabriel.


CONQUISTA GRADUAL

Embora alguns consigam se adaptar, rapidamente, a um cardápio que restringe tantos alimentos cotidianos da nossa culinária, a maioria dos que adere à onda verde faz isso aos poucos. Camila Bergamim, por exemplo, ainda está se preparando para cortar os derivados de leite e de ovos. "Parei com a carne vermelha e, depois de dois meses, excluí da minha alimentação também as brancas. Estou indo devagar, quero acostumar meu organismo", explica. E, nesse processo, todos os nossos entrevistados concordam: ter acesso a fontes de informação confiáveis é fundamental. "No começo, o mais difícil não é mudar a alimentação, em si, mas lidar com o preconceito de quem não fez essa opção. A gente sempre vira o alvo das discussões, todas as vezes em que as pessoas se sentam para fazer as refeições. Então, é preciso saber o que responder, ter argumentos, ou você desistirá fácil", diz Carol. A família, muitas vezes, é a primeira a oferecer resistência. "Meus pais se preocupavam bastante com a minha saúde, porque achavam que eu podia ter falta de proteínas e cálcio, ou mesmo uma anemia. Mas, com o tempo, perceberam que eu fazia uma dieta balanceada e que estava bem. Então, as cobranças acabaram", conta André. A opinião dos amigos também pesa. "A maioria tem preconceito por pura falta de conhecimento. Mas eu parei de me importar com o que os outros pensam. Só tento mudar esses conceitos, explicando o que eu já sei. Por minha causa, dois amigos viraram vegetarianos, e deles partiram mais dois. Eu acredito que faço a diferença, sim, quando coloco meus pontos de vista", defende Carol. Comer fora é também um grande desafio, afinal, poucos restaurantes e lanchonetes oferecem opções para vegetarianos. Mas quem persiste na causa também já encontrou solução para o impasse. "Levo sempre um lanchinho na bolsa, para garantir. E ainda economizo!", brinca Camila.

VERDADES E MENTIRAS
E, PARA QUEM ANDA COM UM PÉ LÁ, POR ACHAR TODA A FILOSOFIA LINDA - E OUTRO CÁ, POR CAUSA DO QUE OUVE FALAR SOBRE OS HÁBITOS DE VEGETARIANOS E VEGANOS -, AQUI VÃO ALGUNS ESCLARECIMENTOS DO NUTRICIONISTA GEORGE GUIMARÃES, ESPECIALISTA EM DIETAS VEGETARIANAS, DA CLÍNICA NUTRIVEG. CONFIRA!

Cortar as carnes faz bem à saúde.
VERDADE.
Além de proteínas e ferro, entre outros nutrientes importantes para o bom funcionamento do organismo, as carnes também são ricas em gorduras. Diminuir o consumo desse nutriente, por outro lado, reduz muito as chances de sofrer de obesidade e de doenças relacionadas a ela, como o colesterol e a pressão alta. Também já existem pesquisas indicando que a alimentação vegetariana ajuda a prevenir alguns tipos de câncer.

Vegetarianos comem só gororoba, comida sem gosto.
MENTIRA. O fato é que, para substituir as carnes, existem inúmeras opções de alimentos. Por isso, a dieta de um vegetariano, em geral, é até mais diversificada do que a de um não-vegetariano - ou onívoro, que normalmente sempre tem a carne como seu prato principal. Com um pouco de criatividade, e uma coleção de boas receitas (veja box "Saiba Mais", na página ao lado), é possível preparar pratos bonitos e deliciosos, que não ficam devendo nada aos mais tradicionais da nossa culinária.

O risco de sofrer de anemia e de outras deficiências nutricionais é grande.
DEPENDE. Se o ovolactovegetariano ou vegano estiver bem informado, e se puder fazer o acompanhamento com um nutricionista, dificilmente terá deficiência nutricional de proteínas, cálcio e ferro.

Isso porque existem inúmeras outras fontes destes nutrientes na alimentação - as proteínas, por exemplo, podem ser encontradas em massas, pães, feijões, ervilhas, milho e até mesmo nos cogumelos. Por outro lado, uma pessoa totalmente desinformada e que decide do dia para a noite cortar alguns alimentos da dieta, sem fazer as substituições necessárias, correrá, sim, grandes riscos de sofrer deficiências e de adoecer. A anemia é só um exemplo das consequências que esse descuido com a saúde pode provocar.



FOTOS: DIVULGAÇÃO / TV GLOBO




Vegetarianos precisam de suplementação.
DEPENDE. Ovolactovegetarianos, em geral, conseguem retirar da própria alimentação tudo o que precisam, desde que sigam uma dieta bem orientada e balanceada. Já a maioria dos veganos precisa que a vitamina B12, que provém de fontes animais, seja suplementada. De qualquer forma, o segredo para estar sempre com a saúde em dia é realizar seus exames de sangue regularmente, e submetê-los à avaliação médica. Se necessário, as correções na dieta ou a suplementação serão feitas.

Precisa gostar muito de frutas e saladas para entrar nessa.
VERDADE. Embora o ovolactovegetariano (e mesmo o vegano) conte com uma infinidade de opções para se alimentar, frutas e saladas serão, quase sempre, a base das refeições principais e dos lanchinhos no meio do dia.

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